"E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão."
Mario Quintana

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

PRESENÇA DA AUSÊNCIA



E então decidi ausentar-me.
Ausentar-me da vida, da morte, das pessoas, do mundo.
Ausentar-me de mim, do que sou, do que penso, do que vejo, do que sinto.
Ausentar-me das decepções, das surpresas, dos sofrimentos, das alegrias.
Ausentar-me do sorriso, da lágrima, do vazio, do amor, do ódio, da guerra, da paz.
Ausentar-me do chão, do céu, do mar, da lua, das estrelas.
Ausentar-me das flores, dos pássaros, do horizonte, do vertical.
Ausentar-me do calor do, do frio, da chuva, do vento.
Ausentar-me dos dias, dos meses, dos anos.
Ausentar-me do indestrutível, do imutável, da intensidade, do completo, do incompleto.
Ausentar-me dos encontros, das despedidas, das chegadas, das partidas.
Ausentar-me da falta, da lastima, da calma, do desespero.
Ausentar-me do passado, do presente, do futuro.
Ausentar-me do claro, do escuro, da companhia, da solidão.
Ausentar-me do caminho, do destino, do acaso, da mudança, da contradição.
Ausentar-me das horas, do tempo, das histórias, das palavras, do silêncio, do medo.
Ausentar-me do sonho, da ilusão, da verdade, da mentira, do real e do irreal.
Ausentar-me do igual, do diferente, da desigualdade, do julgamento, dos problemas.
Ausentar-me da distância, da ignorância, da saudade, da vontade, da responsabilidade.
Ausentar-me de tudo que me remeta qualquer lembrança, esperança ou expectativa.
Ausentar-me do belo, do obstáculo, do fácil, do difícil, do frágil, do erro, do fracasso.
Ausentar-me do egoísmo, do desânimo, do engano, do abandono.
Ausentar-me da mentira, do perdão, do rancor, da necessidade, do eterno.
Ausentar-me do meu coração, mente e alma, da duvida, do exagero, do absoluto.
Ausentar-me do abismo, da compreensão, da compaixão.
Ausentar-me da presença, da ausência do inconstante.
E assim por ausentar-me, serei totalmente ausente de toda e qualquer presença da ausência.

 POR: CLARA KAHENA




quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SOMENTE UMA CONTRADIÇÃO




Choramos, quando temos motivos, pra sorrir.
Odiamos, quando temos motivos, pra amar.
Falamos, quando temos motivos, pra silenciar.
Desconfiamos, quando temos motivos, pra confiar.
Traímos,quando temos motivos, pra sermos fiel.
Somos inimigos, quando temos motivos, pra sermos amigos.
Atrapalhamos, quando temos motivos, pra ajudar.
Magoamos, quando temos motivos, pra fazer pessoas felizes.
Vivemos a realidade, quando temos motivos, pra sonhar.
Fazemos errado, quando temos motivos, pra acertar.
Perdemos quando temos motivos, pra ganhar.
Saímos de cena, quando temos motivos pra ficar.
Deixamos pra depois, quando temos motivos, pra viver agora.
Somos nervosos, quando temos motivos, pra sermos calmos.
Vivemos a pobreza, quando temos motivos, pra vivermos a riqueza.
Paramos,quando temos motivos, pra lutar.
Desistimos quando temos motivos pra seguir em frente.
Vimos imagem, quando temos motivos pra ver o coração.
Falta alguma coisa, quando temos motivos, pra nos sentirmos completos.
Continuamos, quando temos motivos, pra mudar.
Somos, fracos, quando temos motivos pra sermos fortes.
Temos medo, quando temos motivos pra termos coragem.
Lembramos, quando temos motivos, pra esquecer.
Somos tristes quando temos motivos pra sermos felizes.
Morremos, quando temos motivos pra viver.
E por que isso acontece?
Por que a vida nos submete à contradições que
existem dentro de você, inconscientemente.

 POR: CLARA KAHENA