E então da escuridão eu pude enxergar a luz. Não que eu
pudesse atravessa-la tão rapidamente, mas o que me possibilitou conseguir
enxerga-la foi o fato de me encontrar na escuridão e assim como tudo e nada,
aos poucos prosseguirei até o fim, vivendo um dia de cada vez como se cada um
fosse o ultimo.
E então como quem aprendeu um dia a nadar contra a maré, vou
mergulhar-me em águas profundas e mesmo que escuras turvas e ainda contra a
corrente eu não desistirei, porque quem morre afogado, não aprendeu a nadar. E
quando vier a tempestade, eu passarei por ela como quem um dia perdeu o medo da
chuva, remarei até o fim com a certeza que chegarei lá.
E então depois de tudo, eu aprenderei a voar, mesmo contra o
vento forte que tenta me levar. Voarei pra bem longe, viajarei desvendando
céus, terras, oceanos e um dia como quem aprendeu a voltar, eu voltarei, mais
forte, sublime.
Então eu pude enxergar a luz mesmo estando na escuridão,
pude nadar contra a maré, estar em tempos de tempestade e voar pra bem longe e
voltar, só pra mostrar que estou aqui, enfrentando e seguindo sempre em frente,
tentando ir além, apesar do que vivo apesar do que sinto, apesar do que sofro e
estarei sempre, até o fim porque fugir é maior covardia que pode existir.
POR: CLARA KAHENA
POR: CLARA KAHENA