"E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão."
Mario Quintana

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

E ENTÃO EU APRENDI A VIVER


E então da escuridão eu pude enxergar a luz. Não que eu pudesse atravessa-la tão rapidamente, mas o que me possibilitou conseguir enxerga-la foi o fato de me encontrar na escuridão e assim como tudo e nada, aos poucos prosseguirei até o fim, vivendo um dia de cada vez como se cada um fosse o ultimo.

E então como quem aprendeu um dia a nadar contra a maré, vou mergulhar-me em águas profundas e mesmo que escuras turvas e ainda contra a corrente eu não desistirei, porque quem morre afogado, não aprendeu a nadar. E quando vier a tempestade, eu passarei por ela como quem um dia perdeu o medo da chuva, remarei até o fim com a certeza que chegarei lá.

E então depois de tudo, eu aprenderei a voar, mesmo contra o vento forte que tenta me levar. Voarei pra bem longe, viajarei desvendando céus, terras, oceanos e um dia como quem aprendeu a voltar, eu voltarei, mais forte, sublime.

Então eu pude enxergar a luz mesmo estando na escuridão, pude nadar contra a maré, estar em tempos de tempestade e voar pra bem longe e voltar, só pra mostrar que estou aqui, enfrentando e seguindo sempre em frente, tentando ir além, apesar do que vivo apesar do que sinto, apesar do que sofro e estarei sempre, até o fim porque fugir é maior covardia que pode existir.

POR: CLARA KAHENA

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